SÃO
PAULO - Enquanto o Banco Central se mobiliza
para apresentar até setembro um relatório
sobre o setor de cartões de crédito
no Brasil, a Câmara dos Deputados e o Senado
preparam propostas para acirrar a concorrência
no mercado, em prol dos portadores de cartões.
O segmento de cartões recebe atenção
e a regulação de várias áreas
governamentais. A concentração do
setor faz com que duas bandeiras tenham 90% do mercado.
A questão central no debate sobre o tema
na Câmara dos Deputados é promover
a concorrência, que "efetivamente não
existe hoje".
Além
disso, outra recomendação dada é
a aprovação do Projeto de Lei 689/07,
do senador Adelmir Santana (DEM-DF), que determina
o final da exclusividade nas operações
de credenciamento e de compensação
e liquidação das transações,
permitindo a credenciadores firmar contratos com
diferentes bandeiras, respeitando um prazo de adaptação,
que o relatório de Palocci sugere ser de
12 meses.
Em
entrevista à Agência Senado, o senador
Santana afirmou que tem mais de um projeto que trata
do mercado de cartões de crédito na
casa, já que houve crescimento em escala
do uso dos plásticos, sem redução
dos custos ao consumidor.
"Um
deles permite o compartilhamento de equipamentos
por mais de uma bandeira, o que reduziria os custos
dos lojistas. Outro autoriza a multiplicidade de
credenciamentos, impedindo cláusulas de exclusividade.
E há um projeto que torna as administradoras
de cartões de crédito instituições
financeiras, portanto sujeitas à fiscalização
do Banco Central. Hoje elas são autorreguláveis".
Pagamentos
diferenciados
Ele ainda citou o projeto 213/07, que permite ao
comerciante dar desconto a quem prefere pagar à
vista, que havia sido aprovado no Senado, mas sequer
foi analisado na Câmara. "A diferenciação
de preços tem o apoio do Banco Central, dos
ministérios da Fazenda e da Justiça",
afirmou, completando que há referência
ao projeto no relatório do deputado Palocci.
No
relatório, Palocci pede um debate mais profundo
sobre a questão. "Cabe observar se a
maior concorrência será suficiente
para tornar mais equilibradas as relações
entre os diversos atores do sistema: emissores,
credenciadores, detentores da marca, estabelecimentos
comerciais e os consumidores". Porém,
ele não recomenda a alteração
do mecanismo neste momento.
Regulamentação
No
começo deste mês, o Banco Central revelou
que vai divulgar um relatório sobre o mercado
de cartões até o dia 30 de setembro.
Em
uma consulta pública, encerrada no dia 30
de junho, foram recebidas 57 manifestações
sobre o tema, entre elogios e reclamações.
Desse total, foram extraídas 12 críticas
e sugestões, que serão objeto de análise
para uma eventual incorporação de
modificações ao texto original.
No
dia 3 de julho, a Abecs (Associação
Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito
e Serviços) apresentou propostas para aperfeiçoar
a concorrência da indústria de cartões
no Brasil. Dentre elas, está a reestruturação
do setor levando-se em consideração
o compromisso de não-exclusividade de redes
e a interoperabilidade de redes e terminais de múltiplas
plataformas, que seria o encerramento das práticas
de credenciamento exclusivo.
Fonte:
Consumidor RS, 15.07.2009.