Pesquisa
ACATS
Supermercados demonstram cautela com a crise financeira
São Miguel do Oeste (SC) -
A crise financeira internacional vai fazer com que
as empresas supermercadistas catarinenses adiem
para janeiro de 2009 decisões sobre novos
investimentos. Esta é uma das conclusões
da pesquisa que a Associação Catarinense
de Supermercados (ACATS) realizou esta semana junto
a 20 das principais empresas associadas. Os empresários
também sinalizaram que estão recebendo
reajustes de preços por parte da indústria.
Quem ainda não informou reajuste está
retardando a apresentação de novas
tabelas de preços, caso de produtos da linha
de festas de final de ano.
O
resultado da sondagem foi divulgado em São
Miguel do Oeste, onde a ACATS promove a décima
edição do Encontro Regional de Supermercadistas
e Fornecedores do Extremo Oeste, que atri 5 mil
visitantes e estima negócios de R$ 11 milhões
em 108 estandes montados no parque de exposições
da Faismo, nesta cidade.
A
movimentação de vendas agora em outubro
após o noticiário da crise não
chegou a afetar a movimentação de
vendas, isso segundo 75% dos entrevistados. Os demais
responderam que já começam a vender
menos, entre 5% a 10%.
As
conseqüências quase que imediatas vieram
nos contatos com os fornecedores (indústria
e atacados). Para 70% dos empresários do
setor, existe um retardamento na apresentação
de tabelas de preços, especialmente de produtos
da linha festas de final de ano. Os demais disseram
que já estão recebendo aumentos, alguns
de até 30% no setor de cosméticos
(esmalte) e higiene (algumas marcas de absorventes
também com 30%).
Fraldas descartáveis subiram em média
entre 10% a 15%. Nos alimentos, subiram a farinha,
arroz e a carne bovina.
Essa
movimentação também interfere
no planejamento de compras para o último
trimestre do ano. Pela pesquisa, os supermercadistas
estão divididos. Para 50% dos entrevistados,
o volume de compras de final de ano será
mantido nos patamares inicialmente planejados, de
até 10% a mais do que para o Natal de 2007.
Os demais deram sinais de que irão promover
cortes entre 10% e 20% naquilo que projetavam comprar
da indústria para o final deste ano.
A
percepção dos empresários é
de que o aumento do dólar terá influência
direta no reajuste de insumos, que por sua vez,
serão repassados aos preços. 80% dos
entrevistados têm esta expectativa e também
de que o volume de vendas vai cair em conseqüência
disso.
Outra
preocupação do setor é com
efeitos da nova safra agrícola, que pode
ser afetada pela restrição de crédito.
Para 75% dos empresários isso já servirá
de motivo para gerar mais inflação
e pressão em produtos básicos como
as commodities e as carnes já em 2009. Cerca
de 20% dos supermercadistas acha que o efeito mais
direto da safra agrícola do ano que vem será
sentido somente a partir de 2010.
Quando
perguntados se suas empresas planejam rever investimentos
com ampliação de área, construção
de novas lojas ou modernização de
equipamentos, 20% disseram que já pisaram
no freio. Outros 20% garantem que mantém
as decisões já tomadas e 55% disseram
que irão aguardar o cenário em janeiro
de 2009 para decidir.
De
acordo com a manifestação de seus
associados, o Presidente da ACATS, Adriano Manoel
dos Santos, disse que o setor supermercadista catarinense
demonstra cautela diante das conseqüências
da crise. "Sua origem está no setor
financeiro, mas a gravidade do momento acaba afetando
também o setor produtivo".
Para
o dirigente, o setor intensificará as negociações
com os fornecedores e com a indústria. "O
papel do supermercado muitas vezes é o de
vilão, porque os consumidores ficam sabendo
de reajustes de produtos lá nas gôndolas.
Só que as decisões foram tomadas bem
antes. Supermercados não definem preços,
eles são varejistas que operam diretamente
com a ponta do consumo. Se o aumento acontece, quase
sempre o repasse é inevitável",
revela.
Por
outro lado, Adriano acredita que o segmento supermercadista
catarinense, que tem alcançado resultados
positivos de crescimento nos últimos anos,
usará de sua competência para buscar
alternativas com o objetivo de assegurar a manutenção
desta tendência. "A modernização
de nosso setor está encontrando resposta
junto aos consumidores. A vantagem de sermos um
setor altamente competitivo é a busca constante
por melhores serviços e neste caso a vantagem
é sempre do consumidor", finalizou.