Como
se comportou o segmento supermercadista catarinense
em 2008?
Primeiramente,
acredito que o nível concorrencial do setor,
entre os mais
altos do País, é fator fundamental
de impulso da nossa atividade. Empresas de pequeno,
médio e grande porte mantêm um calendário
constante de investimentos na construção
de novas lojas, na ampliação e na
modernização nas já existentes
em busca de mais conforto e praticidade. O consumidor
cobra isso e quem não se atualizar ficará
fora do mercado. Nos últimos seis anos em
Santa Catarina tivemos períodos consecutivos
de crescimento nas vendas entre 2% e 5%. Isso significa
dizer que os supermercados vêm se consolidando
como principal canal de abastecimento das famílias
em relação a alimentos, produtos de
higiene e de limpeza.
No plano conjuntural da economia, a massa salarial
no País cresceu cerca
de 10% e o varejo supermercadista está sendo
beneficiado deste processo porque o setor cresce
cerca de 8% neste ano. Tudo indica que esta média
será mantida pelas previsões dos associados,
mesmo com a influência de uma crise financeira
internacional que começa a repercutir na
chamada economia real porque está promovendo
restrição de crédito. Localmente,
também temos o impacto da tragédia
das enchentes de novembro. Até o final do
ano acreditamos que o varejo não será
tão atingido. A grande expectativa é
pelo comportamento das vendas no primeiro trimestre
de 2009.
Quais foram e são os ´gargalos´
do crescimento do setor supermercadista?
Os
gargalos do segmento são estruturais e de
infra-estrutura, o principal
deles no âmbito fiscal. A carga tributária
sobre alimentos e sobre segmentos essenciais tais
como energia, telecomunicações e combustíveis
é excessiva. A desoneração
fiscal, principalmente dos itens de cesta básica,
terá repercussão imediata e representa
inclusive uma medida de justiça social. Por
outro lado o governo precisa modernizar e ampliar
o sistema viário de transportes. As estradas
estão muito maltratadas e isso encarece a
cadeia produtiva pela pressão sobre custos
de logística. A legislação
trabalhista e previdenciária também
carece de uma reformulação profunda
com foco em medidas que representem estímulo
para a geração de novos empregos,
e não o contrário. O governo está
avançando e muito no grau de eficiência
de seus mecanismos de arrecadação
no combate à informalidade.
Como este processo vem dando resultados, criam-se
condições para que possa haver redução
da carga tributária sem prejuízo de
arrecadação, melhorando-se a condição
de Justiça Fiscal.