O
Instituto Latin Panel eslaborou um estudo com base
no acompanhamento que realiza semanalmente na evolução
de consumo 8,2 mil domicílios no Brasil (90%
do potencial de consumo residencial do país),
de 33 mil domicílios na América Latina
e integra o WorldPanel, maior painel de consumo
residencial do mundo. Um dos dados que começou
a chamar a atenção dos analistas é
o crescimento dos gastos em lazer dentro das residências,
de 8% este ano. O Brasil já ocupa a terceira
colocação num ranking que avalia a
expansão do volume de bens não duráveis
consumidos em 11 mercados da América Latina,
Europa e Ásia.
A
gerente de novos negócios do Latin Panel,
Rita Navarro, identificou fenômenos bem específicos
e conectados com essa tendência. "Cresceram
o consumo de produtos como o sorvete em pote, sucos
prontos para beber, salgados tipo aperitivo e demais
categorias, ao mesmo tempo em que cresceu o número
de domicílios com acesso à banda larga
da internet e TV por assinatura, sem contar a ampliação
das áreas comuns de condomínios em
espaços para festas, lazer e entretenimento
com opções para toda a família
e também o chamado ´lazer gourmet´.
Tudo isso vai impulsionando o consumo de alimentos
de maior valor agregado".
De
acordo com dados do Instituto LatinPanel, as famílias
brasileiras ampliaram em 9% o volume de compras
de das cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal
e de produtos de limpeza, no primeiro trimestre
de 2009. "Identificamos o consumidor mais cauteloso,
apreensivo com o noticiário falando em crise,
mas não há sinais de queda na demanda
por volumes de produtos. O consumo continua em alta
e vemos as famílias praticando o que chamamos
de auto-indulgência, pequenas premiações
através de compras e maior valor ou jantares,
festas e comemorações familiares ou
de grupos nos finais de semana onde a demanda de
produtos acaba acontecendo com mais vigor".
Por
outro lado o comportamento dos consumidores na hora
de comprar está se consolidando cada vez
mais em poucos pré-condições.
"Acho que o fator tempo é o mais determinante
hoje", disse Rita Navarro. "Se faltou
um atomatado ou um refrigerante, um complemento
de compra, a pessoa não vai procurar uma
loja de formato de hipermercado. Ela vai preferir
uma loja de vizinhança ou conveniência
porque quer resolver rapidamente a sua necessidade".
Este
fator de menor tempo possível gasto com a
compra se alia a outros dois, na opinião
de Rita Navarro, que são a praticidade e
a localização das lojas. Ela acredita
que este tipo de comportamento do consumidor está
fazendo com que a expansão das lojas de supermercados
esteja mais forte em lojas de pequeno porte. As
lojas de grande porte e as com características
de supercenter, com opções de serviços
abrigados em lojas satélites, levam a preferência
de quem vai realizar uma compra maior, está
à procura de um bem durável ou pretende
aproveitar a parada para fazer várias coisas
no mesmo lugar".

Fotos:
Almir Salgado